Há quatro anos, em 5 de novembro de 2021, o Brasil lamentou a perda de Marília Mendonça, conhecida como a rainha da sofrência, vítima de um acidente aéreo em Minas Gerais aos 26 anos. Nascida em Cristianópolis, Goiás, a cantora manteve uma relação especial com o Distrito Federal, não apenas pela proximidade geográfica, mas por afinidades artísticas que transcendiam gêneros musicais. Ainda em 2014, antes de alcançar a fama nacional, Marília publicou nas redes sociais um cover da música “Ela tá virada”, da dupla de rap brasiliense Tribo da Periferia, composta por Duckjay e Look. Esse encontro improvável entre sertanejo e rap destacava sua personalidade intensa e aberta a experimentações musicais, gerando comentários positivos de internautas que elogiavam sua voz e talento.
A admiração de Marília pelo rap se materializou em parcerias concretas. Em 2015, os cantores Henrique e Juliano, amigos da artista, convidaram a Tribo da Periferia como atração surpresa em sua festa de aniversário, onde ela cantou “Ela tá virada” de olhos vendados e, ao revelar a surpresa, emocionou-se ao subir no palco para abraçá-los e cantar junto. No ano seguinte, durante o festival Festeja em 2016, Marília os convidou para uma apresentação conjunta de “Insônia”, perante milhares de espectadores. Em um discurso no evento, ela destacou semelhanças em suas trajetórias, mencionando preconceitos enfrentados – como ser mulher no sertanejo e sua aparência física –, e enfatizou que ambos superaram obstáculos para se tornarem vencedores.
A relação evoluiu de fã para parceria oficial. Em 2018, Marília postou outro cover da dupla, dessa vez de “Imprevisível”, cuja letra ecoava sua própria jornada de romper com rotinas e estatísticas. Em 2019, veio a colaboração na faixa “Conspiração”, unindo a voz potente do sertanejo ao rap marcante de Brasília. Duckjay, em entrevista, descreveu Marília como alguém fora da curva, deixando um legado de autenticidade e conexões musicais inovadoras.