O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa neste domingo (9) da 4ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE), em Santa Marta, na Colômbia. Durante o encontro, Lula deve expressar solidariedade regional à Venezuela em resposta às recentes ameaças dos Estados Unidos ao governo de Nicolás Maduro. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o posicionamento reforça a visão brasileira de que a América Latina, especialmente a América do Sul, é uma região de paz e cooperação. Vieira destacou que Lula defenderá o princípio de não intervenção e o diálogo político entre os países do continente. Essa manifestação ocorre em meio ao agravamento das tensões entre EUA e Venezuela, com acusações mútuas envolvendo ações militares no Caribe e supostas tentativas de desestabilização. Lula, em entrevista recente, lembrou conversas com o ex-presidente Donald Trump sobre o tema, enfatizando que a América Latina não proliferou armas nucleares e que o Brasil tem isso como princípio constitucional.
A cúpula, que marca o décimo diálogo político entre as regiões desde 1999, deve reunir delegações de 33 países latino-americanos e 27 da UE, com expectativa de presença de chefes de Estado ou governo semelhante à edição anterior em Bruxelas, que contou com 50 representantes. Organizada há dois anos, a reunião aprovará a Declaração de Santa Marta, abordando temas como reforma do sistema internacional, investimentos, clima, meio ambiente, transição energética, segurança pública, combate ao crime transnacional, segurança alimentar, inclusão social, educação, pesquisa, migração e cultura. Além disso, será apresentado um Mapa do Caminho com ações práticas para implementar esses compromissos, e duas declarações de livre adesão sobre segurança cidadã e política de cuidados. Lula, conhecido como propulsor da integração regional, fará um bate-volta à Colômbia com agenda apertada, sem definições sobre encontros bilaterais, e seguirá para Belém para a abertura da COP 30.
Em meio às discussões, Lula enfatizou a necessidade de um mapa claro para acabar com a dependência de combustíveis fósseis, alinhando-se aos debates sobre transição energética na cúpula. A embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, destacou a participação natural de Lula no evento, reforçando seu papel histórico na integração.