A política do Distrito Federal entrou naquela fase em que o café esfria, o telefone esquenta e ninguém confia nem no eco da própria voz. A crise na base do governo Ibaneis Rocha não apenas chegou ao ponto máximo, como resolveu estacionar ali, ligar o pisca-alerta e abrir o porta-malas das conspirações. PSDB, PSD, PL e PRD fecharam a porta do Palácio do Buriti por dentro e jogaram a chave no Lago Paranoá. O rompimento inaugura uma nova era no DF, daquelas em que alianças viram fumaça e promessas passam a ser tratadas como lendas urbanas. No centro desse redemoinho está Celina Leão, vice-governadora que agora caminha sobre gelo fino, ouvindo estalos a cada passo rumo a 2026.
O quebra-cabeça dos cargos: quem fica, quem sai, quem finge que não viu?
A debandada levanta uma pergunta que ecoa nos gabinetes como trilha de filme de suspense: como ficam os cargos até a eleição? O PSDB, que hoje controla a Secretaria de Segurança Pública com Sandro Avelar, observa o cenário com lupa e cara de quem já fez as malas, mas ainda não decidiu o endereço novo. O PSD ocupa território estratégico: a Secretaria da Juventude, comandada por André Kubitschek, filho de Paulo Octavio, e a Secretaria de Cultura, com Cláudio Abrantes regendo a orquestra. Música afinada ou ensaio para despedida?
O PL não é figurante. Tem Projetos Especiais com Marcos Teixeira, Agricultura nas mãos de Rafael Bueno e ainda a presidência do Parque Ecológico Jardim Botânico, com Allan Freire. Tudo isso enquanto afia as garras para 2026. Já o PRD, em dobradinha com o Solidariedade, administra São Sebastião e o Jardim Botânico. Poder local, silêncio estratégico e um olho sempre no retrovisor.
Personagens entram em cena, outros mudam de figurino
Paula Belmonte, recém-lançada pelo PSDB, surge como protagonista inesperada da oposição. Sorriso firme, olhar marcante, discurso calculado e ares de quem sabe que o palco está livre. O PSD, por sua vez, trabalha nos bastidores para trazer José Roberto Arruda de volta ao jogo. E quando Arruda entra, ninguém finge normalidade. O tabuleiro treme.
O PL ignora solenemente o projeto de Ibaneis para o Senado e monta sua própria estratégia. Senador Izalci e deputado federal Alberto Fraga já jogaram as cartas na mesa, declarando apoio explícito a Arruda ao Buriti. Reguffe, com seu estilo de quem sai sem bater a porta, retirou PRD e Solidariedade da base e declarou apoio aberto a Paula Belmonte. No horizonte, Senado ou Câmara Federal. O suspense fica no ar, no modo Reguffe de ser, sozinho e calculado.
Os números falam… mas cochicham
No primeiro cenário testado, Celina Leão lidera com 32,2% das intenções de voto. Logo atrás, quase respirando no cangote, Arruda marca 29,8%. Leandro Grass (PT) aparece com 11,8%, seguido por Ricardo Cappelli (PSB), com 6,4%. Paula Belmonte pontua 6,0%, mostrando que ainda há espaço para crescimento. Brancos, nulos e nenhum somam 8,6%, enquanto 5,0% ainda preferem o confortável “não sei”. Mas o detalhe que inquieta os estrategistas é outro: e se Arruda largar na frente no início do ano e Celina começar a escorregar?
O enigma final: para onde vai o bolsonarismo?
Resta a pergunta que ronda como fantasma em noite sem lua: o voto bolsonarista continuará com Celina no PP? Migrará para o PL, talvez numa vice do PSD? Ou ousará trilhar caminho próprio, rompendo de vez com os mapas antigos? No DF, nada está decidido. As peças se movem, as cartas mudam de mão e o jogo virou daqueles em que o blefe vale mais que o discurso. Um abraço. O resto… o tempo, esse velho fofoqueiro, contará.