Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, o etarismo surge como uma barreira intransponível para muitos idosos que buscam reinserção no mercado de trabalho, perpetuando uma exclusão social que afeta diretamente a qualidade de vida na terceira idade. De acordo com dados recentes do IBGE, o número de pessoas acima de 60 anos no Brasil deve dobrar até 2050, mas essa transição demográfica não é acompanhada por políticas inclusivas, deixando milhões de idosos à mercê de preconceitos arraigados que os rotulam como ineficientes ou obsoletos. Essa realidade sombria reflete uma sociedade que valoriza a juventude em detrimento da experiência acumulada, forçando muitos a enfrentarem desemprego prolongado e instabilidade financeira justamente quando mais precisam de segurança.
O preconceito etário se manifesta de forma cruel nas práticas de recrutamento das empresas, onde currículos de profissionais maduros são frequentemente descartados sem análise aprofundada, priorizando candidatos mais jovens sob o pretexto de inovação e dinamismo. Especialistas como a gerontóloga Maria do Carmo, citada em estudos sobre o tema, alertam que essa discriminação não só ignora o potencial produtivo dos idosos, mas também contribui para o aumento da pobreza na velhice, com taxas de desemprego entre os maiores de 50 anos atingindo níveis alarmantes. No Brasil, onde a aposentadoria muitas vezes não supre as necessidades básicas, o etarismo agrava a dependência familiar e o isolamento, transformando anos de dedicação profissional em um fardo invisível e doloroso.
Além disso, a falta de legislação efetiva para combater o etarismo no ambiente corporativo deixa os idosos desprotegidos, sem mecanismos que incentivem a contratação ou a retenção de trabalhadores experientes. Programas governamentais, como o Pronatec ou iniciativas de capacitação, raramente focam nessa faixa etária, priorizando jovens e adultos em idade produtiva, o que reforça a narrativa de que os idosos são um “custo” para as empresas devido a supostos riscos de saúde ou menor adaptabilidade tecnológica. Essa visão distorcida ignora evidências globais de que equipes diversificadas em idade são mais inovadoras e resilientes, mas no contexto brasileiro, ela resulta em uma exclusão sistemática que condena muitos a uma aposentadoria forçada e precária.
O impacto psicológico do etarismo é igualmente devastador, levando a quadros de depressão e baixa autoestima entre idosos que se sentem descartados após décadas de contribuição à sociedade. Relatos de profissionais como João Silva, um engenheiro de 62 anos que enfrentou rejeições repetidas em entrevistas, ilustram como o preconceito velado – manifestado em perguntas sobre “energia” ou “atualização” – erode a dignidade e o senso de propósito. No Brasil, onde a expectativa de vida ultrapassa os 75 anos, essa barreira não só desperdiça talento valioso, mas também sobrecarrega o sistema de saúde pública com os efeitos colaterais do desemprego crônico, como estresse e doenças relacionadas à inatividade.
Por fim, sem intervenções urgentes, o envelhecimento da população brasileira pode se transformar em uma crise social profunda, onde o etarismo não apenas limita oportunidades econômicas, mas perpetua desigualdades que afetam gerações inteiras de idosos. A ausência de campanhas de conscientização e de incentivos fiscais para empresas inclusivas mantém o ciclo vicioso, deixando claro que, apesar dos avanços demográficos, o mercado de trabalho continua hostil e excludente para quem mais acumulou sabedoria ao longo da vida.