A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), reuniu-se na tarde desta quarta-feira (26) com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em um esforço para amenizar o distanciamento entre a cúpula do Congresso e o governo do presidente Lula. O encontro ocorreu na residência oficial da Câmara, logo após as ausências notadas de Motta e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no evento de sanção do projeto que ampliou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Essas ausências foram interpretadas como um sinal de afastamento, motivado por desgastes recentes na relação entre o Executivo e o Legislativo. Interlocutores avaliaram a reunião como positiva, embora não excepcional, destacando que ela estabeleceu uma nova ponte de diálogo entre o governo e Motta.
O presidente da Câmara anunciou recentemente um rompimento com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), após ser alvo de críticas duras do partido, lideradas pelo deputado. Motta também se afastou de outras lideranças, incluindo o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), mas Sóstenes afirmou que os dois já conversaram e que não há briga entre eles, classificando o episódio como um desentendimento normal no trabalho. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), buscou minimizar a importância da briga, enfatizando que Lindbergh representa apenas a bancada do PT, e não o governo como um todo, apesar de o PT ser o principal partido da base governista e o partido do presidente Lula. Guimarães reforçou que, mesmo com divergências, é necessário dialogar com todos os partidos, separando as funções da liderança do governo das questões internas da bancada petista.
Essa iniciativa de Gleisi Hoffmann reflete uma tentativa de recompor as relações em um momento crítico, onde o distanciamento poderia impactar a tramitação de projetos importantes no Congresso. A reunião, embora não tenha resolvido todos os atritos, sinaliza um canal aberto para negociações futuras, em meio a um cenário político marcado por alianças voláteis e críticas mútuas entre as esferas de poder.