domingo , 30 agosto 2026
Início Distrito Federal Fiação aérea desafia leis de preservação em Brasília e expõe riscos à população
Distrito Federal

Fiação aérea desafia leis de preservação em Brasília e expõe riscos à população

363

A proliferação de fios aéreos em áreas centrais do Plano Piloto tem gerado críticas de moradores e reacendido discussões sobre a preservação urbanística da capital, tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade. Planejada para priorizar cabos subterrâneos, conforme o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), regulamentado no fim de 2024, a cidade enfrenta violações evidentes em locais como o Setor Hoteleiro, W3 Norte, Trevo de Triagem Norte, acessos ao Lago Paranoá, Sudoeste, Ponte do Bragueto e Eixão Sul. O PPCUB proíbe explicitamente instalações aéreas em regiões como o Eixo Monumental, superquadras, setores centrais, orla do Lago Paranoá, setores de embaixadas, W3 Norte e Sul, entre outros, exigindo a substituição de redes existentes por subterrâneas em até dois anos, inclusive via parcerias público-privadas. Essa situação não apenas compromete a estética visual de Brasília, mas também eleva riscos de segurança, especialmente durante chuvas, com potenciais choques elétricos e interrupções no fornecimento de energia.

Moradores relatam impactos diretos na rotina e na segurança. O advogado Antônio Martins, 32 anos, do Lago Norte, destaca que os emaranhados de cabos afetam a “limpeza visual” da cidade e aumentam perigos com quedas de árvores. Já o servidor público Daniel Rezende, 30 anos, aponta interrupções frequentes no Cruzeiro e Sudoeste, com pelo menos oito casos recentes devido a ventos e galhos. O administrador João Brito, 32 anos, da Asa Norte, observa um “abandono de critérios históricos” ao notar fios desde o aeroporto até o centro. O arquiteto e urbanista José Leme Galvão, aposentado do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reforça que a paisagem urbana, incluindo infraestrutura subterrânea, é essencial para a conservação do patrimônio, criticando interferências visíveis que contrastam com o modelo original.

Empresas e autoridades respondem às queixas, mas atribuem responsabilidades mútuas. A Companhia Energética de Brasília (CEB) afirma que seus postes de iluminação pública usam cabos subterrâneos no centro e em outras regiões. A Neoenergia Brasília, responsável pela distribuição, informa que 9% dos clientes no DF são atendidos por rede subterrânea, com 74% concentrados no Plano Piloto, e atribui o modelo de rede à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh/DF). A concessionária removeu seis toneladas de fiação clandestina desde agosto em áreas como Guará e Águas Claras, e cita furtos de cabos como principal causa de interrupções, intensificando rondas e monitoramento. A Seduh reforça a proibição no PPCUB, mas delega projetos de adequação às concessionárias. Ambas orientam reportar cabos expostos via canais como o 155 ou aplicativos, priorizando operadoras de telecomunicações em casos iniciais.

Conteúdos relacionados

Quadra esportiva de escola pública no Distrito Federal com equipamentos de educação física
Distrito FederalPolítica

Projeto de lei propõe três aulas semanais obrigatórias de educação física no DF

Um projeto de lei apresentado na Câmara Legislativa do Distrito Federal prevê...

Ação social voluntária em centro comunitário no Distrito Federal
Distrito Federal

TJDFT valoriza voluntariado de servidoras em ações sociais no DF

No Dia Nacional do Voluntariado, marcado em 28 de agosto de 2026,...

Tiago Hardman/Agência CLDF
Distrito FederalPolíticaSegurança

Lesbofobia em Brasília: censo revela índices alarmantes de violência contra mulheres lésbicas

Dados do LesboCenso apresentados na tarde de 28/08/2026 à Comissão de Direitos...

Tiago Orihuela/Agência CLDF)
Distrito FederalPolítica

Deficiências no atendimento à primeira infância expostas na Câmara Legislativa do DF

A sessão solene realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal em 27...