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Fiação aérea desafia leis de preservação em Brasília e expõe riscos à população

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A proliferação de fios aéreos em áreas centrais do Plano Piloto tem gerado críticas de moradores e reacendido discussões sobre a preservação urbanística da capital, tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade. Planejada para priorizar cabos subterrâneos, conforme o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), regulamentado no fim de 2024, a cidade enfrenta violações evidentes em locais como o Setor Hoteleiro, W3 Norte, Trevo de Triagem Norte, acessos ao Lago Paranoá, Sudoeste, Ponte do Bragueto e Eixão Sul. O PPCUB proíbe explicitamente instalações aéreas em regiões como o Eixo Monumental, superquadras, setores centrais, orla do Lago Paranoá, setores de embaixadas, W3 Norte e Sul, entre outros, exigindo a substituição de redes existentes por subterrâneas em até dois anos, inclusive via parcerias público-privadas. Essa situação não apenas compromete a estética visual de Brasília, mas também eleva riscos de segurança, especialmente durante chuvas, com potenciais choques elétricos e interrupções no fornecimento de energia.

Moradores relatam impactos diretos na rotina e na segurança. O advogado Antônio Martins, 32 anos, do Lago Norte, destaca que os emaranhados de cabos afetam a “limpeza visual” da cidade e aumentam perigos com quedas de árvores. Já o servidor público Daniel Rezende, 30 anos, aponta interrupções frequentes no Cruzeiro e Sudoeste, com pelo menos oito casos recentes devido a ventos e galhos. O administrador João Brito, 32 anos, da Asa Norte, observa um “abandono de critérios históricos” ao notar fios desde o aeroporto até o centro. O arquiteto e urbanista José Leme Galvão, aposentado do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reforça que a paisagem urbana, incluindo infraestrutura subterrânea, é essencial para a conservação do patrimônio, criticando interferências visíveis que contrastam com o modelo original.

Empresas e autoridades respondem às queixas, mas atribuem responsabilidades mútuas. A Companhia Energética de Brasília (CEB) afirma que seus postes de iluminação pública usam cabos subterrâneos no centro e em outras regiões. A Neoenergia Brasília, responsável pela distribuição, informa que 9% dos clientes no DF são atendidos por rede subterrânea, com 74% concentrados no Plano Piloto, e atribui o modelo de rede à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh/DF). A concessionária removeu seis toneladas de fiação clandestina desde agosto em áreas como Guará e Águas Claras, e cita furtos de cabos como principal causa de interrupções, intensificando rondas e monitoramento. A Seduh reforça a proibição no PPCUB, mas delega projetos de adequação às concessionárias. Ambas orientam reportar cabos expostos via canais como o 155 ou aplicativos, priorizando operadoras de telecomunicações em casos iniciais.

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