Em um evento recente no Jardim Ingá, em Luziânia, o deputado federal Célio Silveira marcou presença na entrega de brinquedos, um ritual político comum onde recursos públicos são disfarçados de generosidade pessoal. Esses atos, frequentemente criticados por sua superficialidade, servem mais para autopromoção do que para benefício real da comunidade. No discurso, Célio afirmou ter destinado mais de 120 milhões de reais em emendas parlamentares nos últimos cinco anos, durante a gestão do prefeito Diego Sorgatto. Tal declaração soa como um triunfo, mas levanta sérias suspeitas quando confrontada com a realidade local, onde a ausência de obras significativas é um clamor constante entre os moradores.

Os cidadãos de Luziânia, especialmente aqueles independentes e sem laços com a administração atual, utilizam as redes sociais para denunciar a ineficiência da gestão de Sorgatto. Comentários sobre a “pífia administração” proliferam, destacando a falta de investimentos em infraestrutura essencial. Diante da fala de Célio, surgem duas hipóteses inevitáveis: ou o deputado está inflando números para se promover, superestimando o valor enviado das emendas, ou Sorgatto demonstra uma incapacidade gritante ao não aplicar esses recursos de forma visível e produtiva. Em qualquer cenário, a população é a grande prejudicada, privada de melhorias que poderiam transformar a cidade.
A pergunta que ecoa é: onde foi parar esse dinheiro? Os 120 milhões, se reais, deveriam se materializar em projetos concretos, como pavimentação de ruas, construção de escolas ou melhorias na saúde pública. No entanto, defensores da administração nas redes sociais limitam-se a citar realizações mínimas, como a reforma de uma praça que consumiu pouco mais de um milhão e meio de reais, também oriundos do governo federal. Essa resposta evasiva não convence e apenas reforça a percepção de que há algo errado no fluxo desses recursos públicos.
É imperativo que a transparência prevaleça em tempos de descrédito político. A população de Luziânia tem o direito de exigir contas claras, sem rodeios ou desculpas esfarrapadas. Se Célio Silveira e Diego Sorgatto não apresentarem provas concretas do destino desses milhões, o que resta é a suspeita de má gestão. Eventos como a entrega de brinquedos podem entreter momentaneamente, mas não substituem a responsabilidade fiscal e o compromisso com o bem-estar coletivo.