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Natal nas ruas de São Paulo: o almoço solidário que revela a face da desigualdade

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Na tarde de 25 de dezembro de 2025, a Casa de Oração do Povo de Rua, em São Paulo, reuniu dezenas de pessoas em situação de vulnerabilidade para um almoço de Natal especial, com a presença do padre Julio Lancellotti, figura emblemática no acolhimento à população de rua. Lancellotti, conhecido por seu trabalho em assistência social e alimentação, destacou a polarização social e o aumento da desigualdade como fatores que agravam a crise, com o número de indivíduos nas ruas crescendo continuamente. Segundo dados recentes do Observatório da População de Rua, cerca de 80 mil pessoas vivem nessa condição na cidade. O evento, marcado por uma oração inicial e serviço priorizando crianças e mulheres, reflete um espírito de solidariedade em meio à melancolia de ver mais famílias sem teto. Voluntários como Ana Maria da Silva Alexandre, coordenadora com 26 anos de atuação, prepararam pernil, salada, farofa, arroz e panetones, além de montar um presépio e distribuir roupas doadas, enfatizando que o espaço oferece não apenas comida, mas também convívio e esperança, especialmente para quem passa o feriado sozinho nas calçadas.

O ano de 2025 foi desafiador para os envolvidos, com relatos de reintegrações de posse que devolvem pessoas às ruas, descaso governamental e o deslocamento da Cracolândia para periferias, sem soluções efetivas. Histórias como a de Ronaldo, que voltou às ruas após uma recaída em drogas e agora ajuda na montagem de kits de higiene, ou do casal Luna de Oliveira, uma mulher trans, e Emerson Ribeiro, que enfrentam preconceito e falta de vagas em abrigos, ilustram as barreiras diárias para reinserção social e emprego. Luna, frequentadora da casa desde 2017, sonha com trabalho na televisão, enquanto Emerson busca vaga como servente de pedreiro. Nilton Bitencourt, morador de rua há quase uma década, nota o aumento de famílias no local e planeja consertar sua dentadura com o dinheiro de trabalhos informais na rua 25 de Março. Lancellotti encerra com uma mensagem política: enquanto mudanças estruturais não ocorrem, é essencial estar ao lado dos pobres para combater a miséria persistente.

Essas narrativas expõem falhas em políticas públicas, como o combate à pobreza e ao preconceito, que continuam empurrando cidadãos para as margens da sociedade, tornando iniciativas como a da Casa de Oração essenciais para mitigar o impacto imediato da desigualdade.

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