José Antonio Kast, candidato direitista, foi eleito presidente do Chile após uma vitória expressiva sobre a candidata comunista Jeannette Jara no segundo turno das eleições. Jara reconheceu a derrota publicamente, afirmando em sua conta no Twitter que a democracia havia falado e desejando sucesso a Kast para o bem do país. Essa conquista marca a terceira tentativa de Kast à presidência: em 2017, ele obteve apenas 8% dos votos, ficando em quarto lugar; em 2021, venceu o primeiro turno, mas perdeu para Gabriel Boric com 44% contra 56%. Desta vez, apesar de Jara liderar no primeiro turno, Kast garantiu a maioria com o apoio de candidatos derrotados como o libertário Johannes Kaiser e a conservadora Evelyn Matthei. Advogado católico e conservador de 59 anos, nascido em Paine, Kast é o caçula de dez filhos de imigrantes alemães que chegaram ao Chile após a Segunda Guerra Mundial. Seu pai, Michael Kast, tem sido centro de controvérsias devido a alegações de filiação ao partido nazista, embora Kast negue qualquer ligação familiar com o nazismo.
A trajetória política de Kast começou na Universidade Católica, onde integrou o Movimento Guild, fundado por Jaime Guzmán, colaborador de Augusto Pinochet e redator da Constituição de 1980. Ele atuou como vereador e deputado pela União Democrática Independente (UDI), mas se distanciou para fundar o Partido Republicano, criticando o “politicamente correto”. Kast defende o regime de Pinochet, afirmando que ele promoveu uma transição para a democracia, e rejeita o rótulo de extrema-direita, embora evoque comparações com líderes como Donald Trump, Javier Milei, Nayib Bukele e Viktor Orbán. Ele parabenizou Trump por sua eleição em 2024 e expressou apoio a abordagens como a de Bukele contra o crime, visitando a megaprisão em El Salvador. Suas propostas incluem medidas drásticas em segurança e migração, como cercas ou valas nas fronteiras com Bolívia e Peru, e um ajuste fiscal de US$ 6 bilhões em 18 meses, cortando “gastos políticos”.
Apesar de minimizar pautas culturais conservadoras nesta campanha, como oposição ao aborto, para atrair votos femininos, Kast mantém convicções católicas firmes, influenciadas pelo movimento Schoenstatt. Casado com María Pía Adriasola, com quem tem nove filhos, ele já se opôs a métodos contraceptivos artificiais em sua vida pessoal. Analistas como Robert Funk, da Universidade do Chile, descrevem Kast como representante de uma direita nacionalista populista, alinhada a modelos internacionais, mas sem questionar abertamente a democracia chilena. Sua vitória reflete preocupações com segurança pública, apesar dos baixos índices de violência no país, e sinaliza uma transformação na direita tradicional chilena.