Uma pesquisa da Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs/UnDF) sobre os fatores psicológicos envolvidos na recusa familiar à doação de órgãos foi premiada com o Cristina Massarolo no XIX Congresso Brasileiro de Transplantes e no XXII Congresso Luso-Brasileiro de Transplantes. O estudo, liderado pelo pesquisador Anderson Galante e orientado por Leila Göttems e Tommy Goto, destacou a desconfiança no sistema de transplantes e o desconhecimento da população como principais barreiras. Realizado com entrevistas em famílias de Amazonas, Bahia, Goiás e Distrito Federal, o trabalho foi apresentado em outubro de 2025, em Fortaleza (CE), e premiado em março de 2026.
Metodologia do estudo
O estudo adotou uma abordagem fenomenológica combinada com análise de problemas para investigar as razões por trás da recusa à doação de órgãos. Foram realizadas entrevistas com familiares que optaram por não doar, revelando padrões de desconfiança e falta de informação sobre o funcionamento do sistema. Essa metodologia permitiu uma compreensão profunda dos aspectos psicológicos, contribuindo para debates no congresso de transplantes.
Fatores identificados na recusa familiar
A pesquisa apontou que a desconfiança no sistema de transplantes surge do desconhecimento sobre seus processos, o que afeta diretamente as decisões familiares. Participantes relataram que apelos governamentais são insuficientes, focando apenas em aspectos emocionais sem explicações claras. Isso reforça a necessidade de campanhas educativas mais robustas para aumentar as taxas de doação de órgãos no Brasil.
O governo não explica como o sistema funciona, apenas faz apelo emocional uma vez por ano para a gente doar órgãos. — Um participante
Impacto da premiação
A conquista do prêmio Cristina Massarolo em março de 2026 reconhece o valor científico do trabalho da Escs, incentivando mais estudos sobre recusa familiar à doação de órgãos. Anderson Galante e sua equipe esperam que os achados influenciem políticas públicas, promovendo maior transparência no sistema de transplantes. Com isso, o estudo pode ajudar a reduzir as recusas e salvar mais vidas por meio de transplantes bem-sucedidos.
Contexto dos congressos
O XIX Congresso Brasileiro de Transplantes e o XXII Congresso Luso-Brasileiro de Transplantes, realizados em Fortaleza, reuniram especialistas para discutir avanços na área. A premiação em março de 2026, anunciada recentemente, destaca contribuições como essa pesquisa, que aborda desafios reais enfrentados pelo sistema de saúde. Esses eventos fortalecem a colaboração entre profissionais e instituições, como a Escs/UnDF, para melhorar as práticas de doação de órgãos.