sexta-feira , 9 outubro 2026
Início Distrito Federal Câmara do DF entrega primeira moção em braille após 35 anos
Distrito FederalPolítica

Câmara do DF entrega primeira moção em braille após 35 anos

254
Foto: Sara Marques/Agência CLDF
Foto: Sara Marques/Agência CLDF

A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou na terça-feira, 27 de maio de 2026, uma sessão solene para homenagear a ativista Lucinéia de Oliveira Santos, mas o gesto expôs mais uma vez a lentidão histórica da Casa em promover inclusão real para pessoas com deficiência visual. Após 35 anos de existência, a instituição entregou pela primeira vez uma moção de louvor redigida em braille, reconhecendo as duas décadas de luta da professora, ao mesmo tempo em que revelou a ausência de medidas concretas ao longo de todo esse período.

Reconhecimento tardio e limitações práticas

A deputada Dayse Amarilio (PT), autora da homenagem, destacou a importância simbólica do documento durante a solenidade, que contou com representantes de entidades, familiares e amigos da homenageada. A moção foi lida tanto na versão impressa quanto em braille, um procedimento inédito que, no entanto, não altera o quadro de acessibilidade precária ainda vigente em órgãos públicos do Distrito Federal. A iniciativa surge em momento em que denúncias de barreiras arquitetônicas e comunicacionais persistem em repartições e espaços coletivos.

Lucinéia de Oliveira Santos, ao receber a distinção, ressaltou que o feito não basta para mudar a realidade diária de quem enfrenta exclusão sistemática. A presença de entidades ligadas à causa reforçou o apelo por políticas efetivas, em vez de ações isoladas que chamam atenção sem resolver problemas estruturais acumulados ao longo de décadas.

Exigências por mudanças concretas

Especialistas e ativistas presentes alertaram que homenagens pontuais não substituem investimentos em infraestrutura acessível e capacitação de servidores. O episódio evidencia que o Legislativo local ainda opera distante das necessidades imediatas da população com deficiência visual, mantendo práticas que reforçam a dependência de terceiros em vez de garantir autonomia.

Ainda há muito a ser feito. Precisamos de mais acessibilidade em todos os espaços, inclusive nos órgãos públicos

Lucinéia de Oliveira Santos

Enquanto a moção em braille marca um precedente, o atraso de 35 anos e a falta de avanços palpáveis indicam que o compromisso institucional permanece mais retórico do que efetivo, deixando a cargo da sociedade civil a pressão constante por transformações reais.

Conteúdos relacionados

Seção eleitoral no DF para segundo turno das eleições
Distrito FederalPolítica

Celina Leão e Leandro Grass vão disputar o 2º turno no DF

O Distrito Federal definirá seu próximo governador em segundo turno marcado para...

Prédio da CLDF em Brasília com gráfico comparativo de renovação
Distrito FederalPolítica

CLDF terá apenas 29% de renovação e 13 aliados de Ibaneis em 2027

A Câmara Legislativa do Distrito Federal terá renovação de apenas 29% na...

Apreensão de 165 kg de cocaína pela Polícia Civil no Recanto das Emas
Distrito FederalSegurança

Polícia Civil apreende 165 kg de cocaína em operação no Recanto das Emas

A Polícia Civil do Distrito Federal apreendeu mais de 165 kg de...

Fachada da Defensoria de Taguatinga fechada para obras do GDF
Distrito FederalPolítica

Defensoria de Taguatinga fecha por dois dias para obras do GDF

A unidade da Defensoria Pública do Distrito Federal no Na Hora de...