A sessão solene realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal em 27 de agosto de 2026 expôs, mais uma vez, as graves deficiências no atendimento à primeira infância no Distrito Federal, com debates que revelaram a insuficiência crônica de recursos e a fragmentação das políticas públicas voltadas a crianças de 0 a 6 anos.
Financiamento insuficiente compromete avanços
Especialistas e autoridades, incluindo a deputada Paula Belmonte e representantes da Rede Nacional da Primeira Infância, destacaram que a falta de orçamento específico continua a limitar ações integradas nas áreas de saúde, educação e proteção jurídica. O evento, que contou com a participação de psicólogos, membros do TJDFT e da Secretaria de Educação do DF, reforçou a urgência de investimentos contínuos, mas evidenciou que promessas anteriores não se materializaram em resultados concretos.
Precisamos garantir que as crianças tenham acesso a uma educação de qualidade desde os primeiros anos de vida. Isso não é gasto, é investimento. E esse investimento precisa ser contínuo, com orçamento próprio e profissionais valorizados.
Paula Belmonte
Formação e integração de políticas em xeque
Durante os debates, Luciana Xavier alertou para a necessidade de capacitação profissional e políticas que dialoguem entre si, evitando o tratamento fragmentado das demandas infantis. Ana Paula Diniz completou que déficits na fase de maior desenvolvimento cerebral podem comprometer toda a sociedade, sinalizando que o Marco Legal da Primeira Infância ainda enfrenta barreiras operacionais significativas no DF.
A primeira infância é a fase em que o cérebro se desenvolve mais rapidamente. Qualquer déficit nessa etapa pode comprometer o futuro da criança e da sociedade como um todo.
Ana Paula Diniz
Não podemos tratar a criança de forma fragmentada. É preciso que as políticas dialoguem e que os profissionais sejam capacitados para identificar e atender demandas específicas dessa faixa etária.
Luciana Xavier