A TV Câmara Distrital lançou a terceira edição do programa “Quem faz Brasília”, que expõe a trajetória de Marta Fagundes em meio a um cenário de negligência prolongada com o patrimônio cultural do Distrito Federal. A iniciativa chega tarde para reconhecer quem manteve por mais de 50 anos o Drive-in Brasília, único da América Latina, enquanto outras tradições semelhantes desaparecem sem apoio.
Legado ignorado por décadas
O programa destaca o trabalho incansável de Marta Fagundes, responsável pelo funcionamento diário do espaço que resistiu a crises econômicas e mudanças urbanas. Ainda assim, a produção ressalta como o esforço individual de uma única pessoa sustentou uma estrutura que deveria contar com políticas públicas consistentes. A terceira edição do “Quem faz Brasília” surge agora, quando o drive-in já enfrenta desafios para sobreviver.
Reconhecimento tardio em Brasília
Em vez de celebrar conquistas, a narrativa do programa evidencia o descaso histórico das autoridades com iniciativas culturais mantidas por cidadãos comuns. Marta Fagundes dedicou meio século ao Drive-in Brasília, mas a cobertura chega em um momento em que o local simboliza a perda gradual de espaços de lazer acessíveis na capital. A TV Câmara Distrital optou por revisitar essa história sem propor soluções concretas para preservar o que resta.
A edição reforça que, sem intervenções efetivas, projetos como o drive-in correm risco de extinção. O público adulto que acompanha o programa percebe a crítica implícita a um modelo de gestão que valoriza tardia e superficialmente quem realmente sustenta a identidade local.