As cidades goianas do Entorno registram até 27,1 homicídios por 100 mil habitantes. Luziânia, Novo Gama, Planaltina de Goiás e Valparaíso de Goiás lideram as taxas letais no estado. O Atlas da Violência 2026 do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra esses números.
O Distrito Federal, do outro lado da divisa, marca 10,3 homicídios por 100 mil habitantes. A diferença aparece na vida de quem dorme em Goiás e trabalha em Brasília. O morador do Entorno sente o contraste todos os dias.
Atlas da Violência expõe realidade do Entorno
Goiás registrou 16,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública com dados de 2025. Esse índice é mais que o dobro do registrado em Santa Catarina e em São Paulo. A média estadual esconde o que acontece nas cidades coladas ao Distrito Federal.
Daniel Vilela, governador desde 31 de março de 2026, repetiu no Dia da Independência que Goiás conquistou sua independência porque é um Estado seguro. O discurso repete o pacote de valorização das forças de segurança anunciado em maio. Os dados do Entorno não confirmam o superlativo.
Na segurança pública o Estado ficou este ano em décimo lugar, mas já tinha piorado muito em 2024 e ficou em 17º.
Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia
A jornalista Fabiana Pulcineli apresentou os números no podcast Papo Político da CBN Goiânia. Ela citou o Ranking de Competitividade dos Estados 2026 do CLP e da Tendências Consultoria. Goiás ocupa o 10º lugar no pilar de Segurança Pública, com nota 43,4.
Qualidade dos registros compromete avaliação
Goiás aparece em 23º lugar na qualidade da informação criminal. O estado fica em 19º nas mortes a esclarecer e em 17º na violência sexual. O ranking também coloca Goiás em 13º no feminicídio.
Goiás está muito mal nesse item que trata dos registros estatísticos, que é responsabilidade do Estado. Aparece em 23º.
Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia
Mortes a esclarecer, que é um outro índice desses 11: Goiás está em 19º lugar. Avalia a proporção de óbitos por intenção indeterminada em relação ao total das mortes. Goiás aparece num índice muito ruim.
Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia
Os dados vêm do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, do Departamento Penitenciário Nacional, do DataSUS e do IBGE. Eles mostram que a propaganda de primeiro lugar não se sustenta. O Entorno concentra o problema.
E aí tem violência sexual: Goiás está em 17º lugar. Feminicídio: Goiás aparece em 13º lugar no país.
Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia
Eleitores do Entorno cobram plano com meta e prazo
O crescimento populacional no Entorno aconteceu sem que os serviços de segurança acompanhassem. Quem mora em Luziânia ou Valparaíso enfrenta filas de ônibus para Brasília e escolas lotadas. A segurança é parte desse mesmo descompasso.
São dados que levam em conta o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Departamento Penitenciário Nacional, o DataSUS, que é da saúde, o IBGE. São dados oficiais, e que fazem esse contraponto: apesar de todo o discurso e a propaganda de que é em primeiro lugar em tudo, não é bem assim. Os dados mostram que não é bem assim.
Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia
O governo de Goiás é responsável pela segurança nessas cidades. Um plano específico para o Entorno precisa trazer meta numérica, prazo e dado publicado. O eleitor que cruza a divisa diariamente exige esse compromisso verificável.